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terça-feira, 24 de março de 2015

QUAL BRASIL ESTÁ NOS PROTESTOS ??





Nesses protestos, de que Brasil estamos falando?

 
 
Flickr/Raphael Richard
 
 
As demandas ouvidas nos protestos
pedem o retorno de um Brasil perdido,
mas falam de 'modelos' diversos
 
 
'  Afinal, qual o Brasil que queremos? » 
 
 
 
Na Copa do Mundo já estava claro. Aquilo de a torcida cantar o Hino Nacional a capela não podia dar em boa coisa.
 
No domingo a cena se repetiu por todo o país. Rostos pintados de verde e amarelo, camisetas da CBF e aqueles esgares de comoção ao entoar o hino.
 
As cores da bandeira foram o mote. O “Brasil” autêntico, contra o vermelho das esquerdas que, pelo discurso dos manifestantes, preferem Cuba ou a Venezuela. Algumas faixam diziam: “Quero meu Brasil de volta”.
 
Fiquei pensando que Brasil seria esse.
 
O Brasil de Lula não pode ser, dado o caráter antipetista radical das manifestações.
 
O Brasil de FHC, a julgar pelas taxas de popularidade ao fim do governo, dificilmente inflama multidões.
 
Sarney e Collor e Itamar parecem fora de questão.
 
 
É o Brasil da ditadura, então?
 
 
Claro que havia mentecaptos a defender o golpe, mas o grosso da manifestação, sejamos justos, não era sobre isso.
 
E o Brasil de antes, bem, esse está fora do radar da experiência do pessoal que foi às ruas.
 
 
O “meu Brasil” presente naquelas faixas, por exclusão, é o Brasil sem essa “gente” que está no poder desde 2002.
 
 
Por trás da agenda aparentemente positiva em favor da democracia e da moralidade, há a negatividade radical que faz identificação automática entre o Brasil e a oposição ao governo.
 
 
Todo o resto está fora. Eles não são o “Brasil”.
 
 
Não conheço sequer uma experiência de arroubo nacionalista que tenha dado em boa coisa. Pelo simples motivo de que esse raciocínio é tapado e provinciano.
 
 
A “nação” é o conjunto de crenças construídas ao longo dos últimos dois séculos para forjar uma identidade que serve a interesses que não são os nossos.
 
 
Uma coisa é desejar melhora de vida para todos que vivemos em território brasileiro, que existe como entidade jurídica e reúne um conjunto de traços culturais. Outra é achar que os símbolos da oficialidade positivista do tempo dos marechais a cavalo – a bandeira, as cores, o hino – carregam um quinhão de pureza e respondem por “valores” que devem ser preservados.
 
 
A ideia de pedir um país “de volta” também trai um ressentimento difuso que alguém poderia examinar em detalhe.
 
 
De volta para quem? A que Brasil querem voltar?
 
O que é preciso, no fim das contas, preservar disso que entendemos por “Brasil”?
 
É a cultura democrática?
 
O sistema político?
 
A independência das instituições?
 
 
Depois de junho de 2013, ficou difícil interpretar as manifestações.
Além do descasamento entre sociedade e representação política, o que as unifica?
 
Lembro que na sequência da maior passeata de 2013, o que encantava naquele momento, o “apartidarismo”, começou a ser apropriado por discursos pavorosos de intolerância.
 
Sinto que o último dia 15 ratificou esse processo. As cores do Brasil são o emblema maior dessa apropriação. Na falta de partidos, a ideologia ultranacionalista, tosca e arcaizante, deita e rola pelas ruas.
 
Enquanto não aparece uma liderança política capaz de encampar essa energia, os garotos “cansados de corrupção” assumem a frente do processo.
 
O que em 2013 era o anarquismo do Movimento Passe Livre, agora aparece na forma de jovens vestais da república que aprenderam ontem que as ditaduras de esquerda foram sanguinárias e se acham no direito de dar aulinhas para a massa ignara.
 
O governo Dilma tem sido de uma inabilidade atroz.
 
A insatisfação geral é legítima e precisa de bandeiras.
 
Mas essas bandeiras não são nem vermelhas, nem verde e amarelas.
 
 

AUTOR:

Flavio Moura


Flávio Moura, 36, é jornalista e doutor em sociologia pela USP. Foi diretor de programação da Festa Literária Internacional de Paraty (2008-2010), editor da revista Novos Estudos Cebrap (2004-2009), professor na Facamp (2003-2009) e coordenador de conteúdo on-line no Instituto Moreira Salles (2010-2012). Integrou as editorias de cultura do Jornal da Tarde, Valor Econômico e Veja. Entre 2005 e 2007, colaborou na equipe de editorialistas da Folha de S. Paulo. Desde 2012, é editor na Companhia das Letras. As opiniões emitidas neste espaço são de sua exclusiva responsabilidade.         
 

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